19
ago
2015
Licença poética nas artes visuais

Pacto_Visual_marialynch_873_blogSão oito artistas, parte de um cenário muito mais amplo e rico, o da arte contemporânea brasileira. Mas esse não é um recorte qualquer. Estamos falando do livro Pacto Visual, que em seu primeiro volume, lançado pela Arte Ensaio e a ID Cultural, convidou quatro artistas renomados a indicar o trabalho de outros nomes ainda menos conhecidos, mas com potencial e talento. O resultado deste formato inédito é uma publicação obrigatória na biblioteca dos estudiosos de arte brasileira e uma ótima indicação para quem quer começar a entender e apreciar o contexto contemporâneo nacional.

Carlos Vergara, Luiz Aquila, José Bechara e os irmãos Otavio e Gustavo Pandolfo, mais conhecidos como OSGEMEOS, aceitaram prontamente a ideia de indicar outros artistas para dividir com eles, as páginas de Pacto Visual. Seus nomes foram pensados, não apenas pela grandeza da obra de cada um, mas para garantir a presença de incursões de diversas linguagens, como pintura – o ponto em comum a todos –, escultura, instalações, cinema e fotografias. Carlos Vergara escolheu Fábio Cardoso. Luiz Aquila elegeu a jovem Maria Lynch. Os GEMEOS indicaram Finok, enquanto José Bechara apontou o trabalho de Gisele Camargo.

A relação de Carlos Vergara com as artes iniciou-se na efervescente década de 60. Foi um artista que experimentou muito até chegar a pintura como forma de reação à ditadura militar. Sua obra porém, é composta por filmes e instalações que misturam técnicas artesanais e resíduos industriais, signos do Brasil urbano e elementos rurais e indígenas. Ao pensar em Fabio Cardoso, da geração de 80, destacou sua dedicação a uma estética mais simples, telas em preto e branco cobertas por acrílico colorido. O que, nas palavras de Vergara, resultam em material kitsch, carregado de ironia.

Contemporâneo de Vergara, Luiz Aquila dedicou-se às práticas de desenho, gravura e pintura, mas também se desenvolveu na condição de professor na Universidade de Brasília (UNB). Classifica Maria Lynch, sua escolhida, como uma colorista que não tem preconceito de cor e que tem a pintura como apenas um dos focos. As instalações e performances da artista refletem essa sua inquietude. José Bechara mostrou-se também um defensor do trabalho em vários ambientes, ao eleger Gisele Camargo. Embora seja pintora, Gisele é muito influenciada pelo cinema e aponta a sétima arte como inspiração para suas telas compostas como mosaicos, onde cada parte é considerada um frame.

Expoentes máximos do grafite e referência internacional, OS GEMEOS viram no jovem Finok, alguém que busca constantemente a evolução de seu trabalho como artista de rua. De acordo com a dupla, “trabalhar na rua é aprender a respeitar um mundo que é muito maior e poderoso, é pedir licença – não à polícia ou à propriedade privada – antes de deixar sua marca”. E, tanto Finok, quanto todos os nomes presente nesta obra, dedicados ao desenvolvimento da arte contemporânea em tantos estilos e esferas, já conquistaram essa licença há tempos.